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Casos de sucesso: Penedo

"O fio de cortiça vai despertar muito interesse a nível mundial", diz Xavier Leite, presidente da Têxteis Penedo, empresa portuguesa de têxteis-lar.

Xavier Leite nunca tinha visto um tear quando, nos anos 80, aceitou ser administrador delegado da empresa têxtil Foncar, em Guimarães. Tinha começado a trabalhar muito jovem na Lusaustri, também da área dos têxteis, e nessa altura estava longe de imaginar que viria a tornar-se presidente da Têxteis Penedo e a transformar uma empresa que apenas fabricava colchas, e só vendia em Portugal, numa organização que hoje exporta para cerca de 40 países e tem um volume de negócios que ronda os 12 milhões de euros.

O presidente da Têxteis Penedo recorda-se bem do dia em que comprou a empresa. Era Dia do Pai, 19 de Março, estávamos em 1990 e tudo começou por um convite para se tornar sócio. Xavier Leite acbaria por se tornar no único proprietário, numa altura em que a Têxteis Penedo estava sobretudo centrada no mercado interno e num único produto, as colchas.

“A decisão de exportar foi tomada porque havia a necessidade de chegar a outros mercados, uma vez que a empresa produzia exclusivamente para o mercado interno e um só produto. Fabricava colchas e estava a dar os primeiros passos em atoalhados de mesa”, explica Xavier Leite. Desde a fundação, em 1974, que a Têxteis Penedo se tem dedicado à produção de têxteis-lar, sobretudo em jacquard, um tipo de tecido complexo em que os desenhos e as texturas são moldadas pelos diferentes fios e as diversas cores. Até que, na década de 1990, o facto de a empresa fabricar exclusivamente colchas e vender apenas no mercado português começou a causar algumas dificuldades.

A internacionalização era a solução porque o mercado interno não absorvia a produção da empresa durante a totalidade do ano. A compra das colchas é bastante sazonal, portanto havia a necessidade de ter um negócio que permitisse um fluxo financeiro constante ao longo de todo o ano.

As vendas abrandavam mas os compromissos e as despesas mantinham-se, por isso era preciso atravessar fronteiras e aumentar as vendas.

A seleção dos mercados foi feita tendo em conta o excedente de produção da empresa que não era absorvido em Portugal e os clientes que pudessem estar interessados em comprá-lo. “Fizemos exposições em feiras como a Heimtextil, em Frankfurt, e verificámos que o mercado que mais nos proporcionava o tal contraciclo era o mercado americano. Foi por aí que começámos”, adianta Xavier Leite. Os Estados Unidos permitiam à Têxteis Penedo continuar a vender numa altura do ano em que as colchas não eram compradas em Portugal.

“Havia períodos de procura bastante baixa que tornavam difícil fazer face aos compromissos assumidos em termos financeiros. A internacionalização era a solução para garantir essa fluidez financeira, o que não se conseguiria sem um mercado externo que viesse colmatar a falta de procura do produto ao nível interno, de forma a tornar normais as entradas financeiras ao longo do ano”, explica o presidente da Têxteis Penedo.

O primeiro passo foi então a participação nas feiras internacionais mais importantes do setor. “Com isso fomos conquistando clientes e alargando o nosso negócio, nomeadamente para os Estados Unidos, mas também para a Europa e uma grande parte dos mercados globais onde hoje estamos presentes.”

Na altura foi criada uma equipa dedicada à exportação, que começou com duas pessoas mas atualmente integra seis. “Temos vindo a crescer proporcionalmente ao volume de negócios. A internacionalização foi planeada tendo em vista essas necessidades de crescimento e de abertura a outros mercados”.

 

Conquistar o reconhecimento dos têxteis-lar portugueses

No início, uma das principais dificuldades foi o facto de Portugal não ser um ator reconhecido no mercado dos têxteis-lar. Xavier Leite recorda a forte concorrência e a dificuldade de entrada nos mercados, sobretudo naqueles que já estavam muito habituados a comprar a Itália, à França ou ao Reino Unido. “Tivemos de lutar, no bom sentido, para tentar promover os nossos artigos junto dos clientes que estavam já habituados a comprar a esses mercados, com bastante qualidade.”

O objetivo era alcançar um volume de negócios que assegurasse a estabilidade da empresa. “Ao mesmo tempo, era importante conhecer novos produtos e mercados”. As vendas aumentaram e o volume de negócios foi sempre duplicando ao longo dos três primeiros anos, mas houve também alguns percalços ao longo do processo de internacionalização. “Houve mercados menos conseguidos, como o Brasil ou África”. As elevadas barreiras alfandegárias foram o principal problema, nomeadamente no caso do Brasil. Em África, por outro lado, a Têxteis Penedo teve dificuldade em chegar aos consumidores com capacidade para comprar os seus produtos.

O processo de internacionalização levou a empresa a investir na modernização e criação de novos produtos. “Houve sempre novos desenvolvimentos, tecnologias e capacidade de nos reinventarmos. Tivemos de criar novos produtos, para lá das colchas, e hoje temos um catálogo com roupa de cama, mantas, cobertores, toalhas de mesa ou tecidos de decoração. Diria que vestimos a casa totalmente.”

Com a introdução de novos produtos melhorou também a competitividade da empresa e o volume de negócios. “Passámos de uma faturação de pouco mais do que meio milhão de euros para mais de onze milhões”, sublinha Xavier Leite. Hoje a Têxteis Penedo emprega quase uma centena de pessoas, possui a marca Macal by Penedo e exporta 98 por cento da sua produção para os cinco continentes. Todos os anos Xavier Leite dá uma volta ao mundo para visitar os principais clientes, encontrar outros e mostrar as novidades.

Xavier Leite recorda que, no início, uma das dificuldades era contactar potenciais clientes e saber como entrar em novos mercados, tendo contado nessa fase com o apoio da AICEP, que “foi sempre parceira para pesquisar mercados, para apoiar na participação em feiras como a Heimtextil”. E adianta:

Sempre que temos necessidade de procurar novos mercados a primeira entidade a que recorremos é a AICEP, que nos dá informação sobre importadores ou marcas nos mercados que nos interessam.

Estados Unidos, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul são alguns dos principais destinos dos produtos das Têxteis Penedo, que nos últimos anos tem apostado na diversificação e na inovação tecnológica. A empresa criou um departamento de investigação e desenvolvimento que junta os têxteis a tecnologias como os fios condutores e os LED – Light Emitting Diode, ou díodo emissor de luz, que iluminam os tecidos como se fossem pequenas lâmpadas – e ganhou recentemente o prémio Techtextile Innovations, na Alemanha, pela apresentação, em parceria com a empresa Sedacor, do fio revestido a cortiça.

Os novos desafios passam exatamente pela criação de uma empresa para explorar o ramo de negócio associado ao fio de cortiça. “Levou oito anos a desenvolver, desde a primeira ideia à apresentação final do produto”, adianta Xavier Leite. “Recebemos o prémio para produto inovador e, para além dos tecidos de jacquard, temos muitas outras indústrias interessadas no fio de cortiça, como a aeronáutica, aviação ou indústria automóvel. Vai ser um produto inovador mas vai ter uma abrangência muito grande em termos de potencial de mercado. Só esperamos que o consumidor, que é quem manda, lhe dê valor, porque nós acreditamos nele”.

O Cork.a.Tex.Yarn, como é designada esta inovação, foi desenvolvido pela Têxteis Penedo e a Sedacor, empresa de cortiça, em parceria com o CITEVE, centro tecnológico dedicado ao Têxtil com sede em Famalicão, e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. O seu desenvolvimento irá obrigar a Têxteis Penedo a procurar novas parceria e a explorar novas indústrias e novos mercados. Xavier Leite está otimista e considera que o fio de cortiça “vai despertar muito interesse a nível mundial”.

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