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Casos de sucesso: Douro Boys

Os “rapazes” que trazem o mundo ao Douro

O objetivo era levar os vinhos do Douro ao mundo, mas eles acharam melhor trazer o mundo até ao Douro. Em vez de promoverem sozinhos os seus vinhos juntaram-se numa rede de cooperação, organizaram eventos, investiram na promoção e o resultado é que todos ganharam. Um dia um jornalista estrangeiro chamou-lhes Douro Boys. Hoje eles dizem que já não são “boys”, mas serão sempre. Porque a sua herança não é uma questão de idade.

Os “Rapazes do Douro” já eram amigos, e alguns até tinham ligações familiares, quando em 2002 resolveram pôr em prática um projeto conjunto. O seu vinho era sempre tema de conversa, e fazê-lo chegar a todo o mundo, às prateleiras das melhores garrafeiras ou à mesa dos mais conceituados restaurantes, era uma necessidade. Foi o que fizeram.

Em 2003 contrataram a agência de comunicação Wine&Partners, criada pela Relações Públicas austríaca Dorli Muhr, e a sua faturação acabou por quadruplicar em quinze anos, para mais de 30 milhões de euros. Cada um tem os seus canais de exportação e os seus mercados, mas quando se apresentam em feiras ou noutros eventos internacionais são os Douro Boys, e foi também enquanto Douro Boys que criaram a Feira do Douro para trazer jornalistas e sommeliers à região onde nascem os seus vinhos.

Os cinco pequenos produtores de vinho – Niepoort, Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta do Vale Meão e Quinta Vale D. Maria – já não são tão pequenos quanto isso, têm volumes de negócios que vão dos dois milhões aos 13 milhões de euros e estão presentes em pelo menos 30 países (mais de 50 nalguns casos).

No grupo havia diversas afinidades. “A primeira era estarmos todos posicionados no mesmo segmento de vinho, no setor premium, a segunda é que já éramos amigos, e alguns até primos”, diz Tomás Roquete, administrador da Quinta do Crasto. Para além disso, conseguem representar, através das suas quintas, as três sub-regiões do Douro – Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.

A promoção dos vinhos dos Douro Boys, cujas exportações aumentaram cerca de 380% em pouco mais de uma década, foi bem-sucedida sobretudo nos mercados emergentes e em grandes mercados como a China, os Estados Unidos e o Brasil, mais do que nos países com uma história muito antiga de consumo de vinho, adianta João Álvares Ribeiro, sócio-gerente da Quinta do Vallado.

As várias quintas têm também apostado no enoturismo, com visitas e provas de vinhos, como acontece na Quinta do Vale Meão ou na Quinta de Nápoles, ou mesmo com instalações hoteleiras de luxo como as da Quinta do Vallado ou da Quinta do Crasto. Os vinhos da Quinta do Vale Meão chegam hoje a cerca de 30 mercados, os da Quinta do Vallado a mais de 40, os da Quinta do Crasto a 52 e os da Niepoort a mais de 70.

É preciso apostar em nós, na nossa qualidade, nas tradições que nós temos e os outros não têm, nas vinhas velhas que nós temos e os outros já não têm, nas castas que nós temos e os outros não têm, na individualidade do terroir português.

Diz Dirk Niepoort, presidente executivo da Niepoort. Tudo isto para tornar cada vez mais único o vinho do Douro, conclui. “O que eu gostava é que, daqui a cinco ou dez anos, uma pessoa provasse um vinho e dissesse isto só pode ser português, isto só pode ser do Douro.”

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