Passar para o conteúdo principal
Campo Obrigatório
02 de Outubro 2020

Bélgica - mobilidade e oportunidades no setor das duas rodas

AICEP

Bélgica

Inserido no tema da Economia Verde - um dos pilares estratégicos da nova política Europeia -, a crise da COVID-19 veio acentuar a importância do urbanismo e do planeamento das cidades na Bélgica, sobretudo em questões de mobilidade, acessibilidade e infraestruturas. Desde o início da fase de recuperação da crise que as cidades europeias e os governos nacionais alocaram, pelo menos, 823 milhões de euros em mobilidade ativa.

A Bélgica registou níveis de trabalho remoto sem precedentes. Segundo um relatório da Deloitte, o número de pessoas que trabalhavam de casa regularmente passou de 22,7 por cento antes da crise para, pelo menos, 50 por cento depois da crise. Consequentemente, o teletrabalho diminui a necessidade de uso do carro próprio, reduzindo drasticamente os congestionamentos e gerando uma queda na venda de automóveis que se prevê de -14 por cento em 2020, relativamente a 2019. Por outro lado, a segurança passou a ser um dos principais fatores de decisão na escolha dos transportes, obrigando os transportes públicos tradicionais a reinventarem-se e abrindo a porta a novos meios de mobilidade alternativa, em particular soluções elétricas e partilhadas.

Com a reabertura das lojas ao público, no início de Junho, as lojas de bicicletas em Bruxelas registaram um aumento das vendas em 4 vezes mais do que antes da crise. Ao mesmo tempo, a cidade investiu em mais 40km de ciclovia e num aumento das zonas interditas a carros, dando prioridade a zonas pedestres, áreas de lazer e espaços verdes para as pessoas. A região de Bruxelas está mesmo a considerar a introdução de uma taxa para utilização de carros, até 2025. O plano de mobilidade para a cidade valeu-lhe o prémio de Sustentabilidade e Mobilidade Urbana da Comissão Europeia em 2020.

Também durante a crise da pandemia, a empresa belga de bicicletas partilhadas – Billy Bike – diz ter triplicado os seus resultados operacionais nos meses de Março e Abril. A empresa Americana Wheels lançou-se no mercado em Junho com cerca de 500 bicicletas elétricas e a start-up belga Cowboy angariou, durante a crise, 23 Milhões de euros em capital, permitindo à marca competir com os líderes do mercado holandês e expandir-se para novos mercados europeus.

O co.Mobility, lançado em Abril, é um projeto que tem como objetivo repensar e reestruturar o sector, juntando vários stakeholders, de forma a criar uma plataforma intermodal de mobilidade com soluções acessíveis, sustentáveis e duráveis que respondam às necessidades dos cidadãos. A crise veio reforçar os benefícios de soluções deste género, como a aplicação MaaS (Mobility as a Service) que combina os vários serviços de transporte públicos (STIB – Transportes públicos de Bruxelas; SNCB – Comboios federais, De Lijn – Transportes Públicos da Flandres; TEC – Transportes públicos da Valónia) e privados (táxis; motas e carros partilhados; bicicletas) que fornecem a cidade.

Também o governo da Flandres criou uma plataforma pública de bicicletas partilhadas em várias cidades da região enquanto o governo da Valónia subsidia (entre 200€ e 400€) a compra de bicicletas elétricas.

Mais informações sobre este assunto podem ser obtidas junto da Delegação da AICEP em Bruxelas.

Campo Obrigatório