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Campo Obrigatório
13 de Abril 2021

Joalharia do Chiado serviu a coroa portuguesa

AICEP

Portugal
Ourivesaria e joalharia

Nas mãos da mesma família há seis gerações, a joalharia bicentenária Leitão & Irmão reabre renovada no Chiado, de olhos postos no futuro, mas sem esquecer o legado de uma marca que já serviu a coroa portuguesa. 

A recente renovação trouxe a calçada portuguesa para o piso da loja do Chiado, casando-a com pormenores decorativos em veludo, sinónimo de uma marca que se orgulha do passado, mas que tem os olhos postos no futuro. Já as paredes mantêm o amarelo, a cor-chave da Leitão & Irmão, a joalharia bicentenária que reabriu esta morada a 1 de dezembro. “O amarelo significa alegria. A joalharia não tem que ser restritiva. É uma casa de todos, onde qualquer um pode e deve entrar”, explica Jorge Van Zeller Leitão, responsável pela marca familiar que já vai na sua sexta geração e que começou no Porto.

A mudança para Lisboa chegou na década de 70 do século XIX, com a criação da oficina situada no Bairro Alto, “o coração da marca” onde se fabricam anéis, colares, fios, faqueiros, brincos, botões de punho, trabalhando-se ouro, prata, platina e pedras preciosas como diamante, esmeralda e safira. Nesta altura, a nomeação que receberam do rei Luís I como Joalheiros da Coroa levou-os a fixar-se na capital para estarem mais próximos da corte. Anos antes já haviam sido reconhecidos como Ourives da Casa Imperial do Brasil.

O cariz familiar da casa, e a fidelização do público são algumas das causas que podem explicar esta longevidade. “Temos clientes que já vão na terceira, quarta geração”, explica Jorge, que gere os restantes espaços da marca, no Bairro Alto, no Hotel Ritz e no Estoril. Mas também a portugalidade, que serve de inspiração às peças e coleções criadas, às quais se juntam outras personalizadas feitas ao gosto do cliente. Outras contam uma história, como o Rhinocerus 1515 em prata, feito em homenagem ao rinoceronte que D. Manuel I ofereceu ao Papa Leão X e a exuberante girafa em prata, réplica do animal que Salvador Dalí criou para um dos corsos do desfile de Carnaval de 1964 no Estoril.

Artigos feitos por cerca de 20 artesões experientes, ainda que a Leitão & Irmão esteja sempre em busca de novos talentos, que trazem “algo novo” a uma arte exigente. “É trabalho duro. Muitos levam 10 anos a formarem-se. Um mestre artesão chega a ficar oito horas agarrado a um buril, a uma lima, a uma serra”, remata o responsável.

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