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17 de Fevereiro 2021

Infinera: Soluções para redes óticas reconhecidas mundialmente

AICEP

TIC

Gonçalo Crispim, VP Global NMS Development da Infinera, apresenta, em entrevista um dos principais fornecedores mundiais de soluções e equipamentos para redes óticas. Presente em mais de 45 países, a Infinera conta com uma faturação global de mais de mil milhões de euros.

A Infinera tem mais de 40 anos e conta já com uma presença global, o que levou à fundação da empresa e como olham hoje para esse percurso?

A Infinera foi fundada em 2000 com o objetivo de se afirmar como empresa pioneira no desenho, produção e integração de circuitos integrados fotónicos. O domínio dessa tecnologia permitiu-lhe posicionar-se como um dos únicos players que empregam a integração vertical no desenvolvimento dos equipamentos que compõem as suas soluções de transmissão ótica. A integração vertical, neste tipo de produto, traduz-se na implementação num único circuito fotónico dos blocos funcionais de transmissão e de receção de sinais óticos coerentes, bem como da integração no mesmo módulo do processador digital de sinais.

O grupo Infinera está presente em mais de 45 países, com uma faturação global em 2019 de mais de mil milhões de euros. Quais são os principais desafios que enfrentam enquanto organização global e quais as soluções da empresa que acreditam serem mais disruptivas e transformadoras?

A indústria das telecomunicações depara-se com o desafio do aumento constante da capacidade em todos os níveis da rede, bem como com a necessidade de reduzir o custo por bit transmitido. Neste contexto, a Infinera destaca-se pela inovação dos seus produtos. Atualmente, a par de outro competidor, é um dos únicos fabricantes que tem um produto com a capacidade de transportar 800Gbps por comprimento de onda. Em conjunto com esta tecnologia, as soluções que os restantes elementos do portefólio proporcionam, nomeadamente as soluções de automação para gestão das redes óticas, posicionam a Infinera como uma das empresas com maior capacidade inovadora e competitiva nesta área.

Com mais de 2000 patentes registadas, a Infinera é um dos principais fornecedores mundiais de soluções e equipamentos para redes óticas. Pode dar exemplo de algumas dessas patentes e das vossas principais inovações? Quais foram desenvolvidas em Portugal?

A contribuição da equipa de Lisboa tem sido decisiva em duas dimensões: inovação e disseminação científica. A primeira tem como propósito desenvolver soluções diferenciadas de modo a ganhar vantagem comercial. Várias patentes que a empresa detém na área de gestão avançada de redes de transporte – por exemplo via técnicas de inteligência artificial – foram originadas exclusivamente em Portugal.

A segunda dimensão, a disseminação científica, está centrada em contribuir, de modo aberto, para o progresso da indústria e tecnologia, o que é conseguido através da participação nas principais conferências da área e publicação de artigos científicos. Nos últimos anos, temos tido uma presença muito significativa, com uma média de vinte artigos publicados por ano. Em adição, temos estado envolvidos em projetos de investigação com parceiros industriais e académicos no espaço comunitário, por exemplo no âmbito do projeto Horizon 2020.

Em três palavras como definiriam a missão e operação da Infinera?

A Infinera tem como visão proporcionar uma capacidade de transmissão infinita, sempre, de forma instantânea, e em qualquer lugar. Definição da missão: Reinventar soluções de rede.

Há quanto tempo a empresa está em Portugal e o que a levou a investir em Portugal? Quais os fatores que mais pesaram nessa decisão?

Em 2018, a Infinera adquiriu a Coriant, grupo no qual a operação de Lisboa estava integrada. O centro de I&D de Lisboa, cujas origens remontam a 1996, representa um dos pilares de investimento da empresa, que é o das soluções de automação para gestão e operação de redes. Noutra vertente, os centros de serviços e suporte a clientes, as gestões de produto, a par de um conjunto alargado de áreas, conferem a Lisboa uma contribuição relevante no panorama global da empresa.

Mudaram no ano de 2018 para novas instalações no Office Parque de Carnaxide, as antigas instalações da EFACEC, com mais de 8000 metros quadrados. O que representou esta mudança em termos estratégicos para a vossa operação e de que forma contribuiu para o crescimento da empresa em Portugal?

A mudança efetivamente deu-se em 2019, depois de um período de cerca de oito meses de transformação do espaço. Este campus tem um conjunto de valências críticas para o crescimento da operação local. Uma área moderna do open space, com vários espaços colaborativos, uma infraestrutura adequada para a área de laboratório, bem como vários espaços adequados a atividades com clientes. De referir ainda a localização e flexibilidade do espaço.

Com a mudança de espaço surgiu a possibilidade de pensar noutras áreas de negócio, como é o caso do laboratório de demonstrações dos produtos e serviços da empresa, assim como, do costumer experience center. Como estão a decorrer atualmente estes projetos?

Apesar do panorama resultante da pandemia que se instalou a nível global desde há um ano, este recurso tem sido crucial para suportar a estratégia de lançamento de novos produtos. Neste especto, apesar das atividades presencias estarem bastante limitadas, as características do laboratório permitem continuar a desenvolver toda esta dinâmica de interação com os clientes, enquanto o acesso físico às instalações está condicionado, uma vez que todo o equipamento pode ser acedido, configurado e operado de uma forma remota.

Quem são os vossos principais clientes em Portugal, no mundo e quais os principais países de exportação?

A maioria dos clientes da Infinera são grandes operadores mundiais de telecomunicações, com os Internet Content Providers, com os operadores de redes por cabo a assumirem um papel cada vez mais relevante nos últimos anos. Os principais mercados da Infinera foram, em 2019, a América do Norte (52 por cento), a Europa e Médio Oriente (30 por cento) e a Asia-Pacifico (10 por cento).

De referir também o acordo alcançado entre a Infinera e a GÉANT, para a instalação da nova geração de rede pan-Europeia, que vai ligar os principais centros de investigação e educação a nível Europeu nos próximos 15 anos.

Contando nos vossos quadros com mais de 400 colaboradores como olham para a evolução do mercado de trabalho nacional? Trabalhando numa área de tecnologia de ponta, como tem decorrido a captação e retenção de talento nacional e estrangeiro?

A Infinera tem atualmente em Portugal, entre colabores diretos e consultores, cerca de 250 colaboradores. Uma das principais áreas é sem dúvida o centro de I&D, onde as várias disciplinas da engenharia contribuem para a criação de soluções e realização de produto. As principais fontes de recrutamento são as universidades de referência a nível nacional. Não havendo um número relevante de empresas a nível nacional a operar nesta área, a ligação com as universidades é crítica para adequar e preparar talento. Sendo um player global, a pool de talento estende-se a nível Europeu ou global.

O vosso centro de I&D em Portugal tem importância estratégica para o grupo. Quais são os principais serviços ou produtos desenvolvidos cá e de que forma essa inovação se reflete no grupo Infinera?

A atividade de I&D em Lisboa centra-se principalmente na área das plataformas de planeamento e gestão de redes, bem como do software de automação das redes. Além disso, há uma contribuição importante para os sistemas operativos dos vários equipamentos de rede. A automação dos processos, quer de instalação, quer de operação das redes, representa uma área de aposta estratégica, pois é uma das áreas de diferenciação face a empresas concorrentes.

Quais as principais áreas de negócio em que operam em Portugal? E quais as mais relevantes para a qualidade do serviço prestado quer dentro quer fora do grupo Infinera?

Umas das principais atividades da Infinera em Portugal são as atividades de I&D para plataformas de gestão de redes e automação do controlo e planeamento. Há ainda um conjunto alargado de atividades noutras áreas de produto, principalmente ao nível das plataformas de SW. Além disso o centro de serviços que serve uma área geográfica alargada é outra das áreas com maior expressão local e também dentro do grupo a nível global. Em ligação próxima com todo o I&D local, a gestão de produto tem um papel central na definição do portefólio que a empresa vai colocar no mercado.

Que resultados foram alcançados e quais os objetivos estratégicos da Infinera Portugal no curto e no médio prazo?

A aquisição da Coriant permitiu à Infinera expandir a sua base global de clientes, incluindo Tier 1 service providers em EMEA ou noutras regiões em que a Coriant tinha uma presença forte. Uma das áreas que são determinantes para suportar este posicionamento, são as soluções de software (gestão de redes), automação e planeamento.

A consolidação de centros de serviços e suporte a clientes em Lisboa é outra vertente em que o centro de Lisboa se afirmou com um posicionamento estratégico. Estes exemplos ilustram a contribuição de algumas áreas com maior dimensão, mas a estratégia do site passa também por dar continuidade ao reforço de investimento noutra áreas que durante o último ano se consolidaram em Lisboa e são agora, também elas, pilares da operação global da empresa. Por último, gostava de salientar a aposta na inovação, que como já foi referido, é um fator chave para a nossa competitividade.

Que conselhos dariam a uma empresa estrangeira interessada em investir em Portugal?

O ambiente tecnológico nacional transformou-se profundamente na última década. Fruto de uma estratégia nacional focada no ensino superior e na formação de engenheiros num conjunto alargado de áreas, Portugal tem hoje um mercado de trabalho nas áreas tecnológicas bastante desenvolvido. Ligando este aspeto com uma forte mobilidade dos cidadãos a nível europeu, assistiu-se, nos últimos cinco anos ao alargar das possibilidades de recrutamento para as empresas nesta área tecnológica.

Além desta realidade, Portugal afirma-se como um destino central na Europa, geograficamente bem localizado, e com um posicionamento ímpar para operar em ambientes internacionais, cobrindo os fusos horários da Ásia e da América. As infraestruturas são adequadas e o país é seguro e amigável para acolher emigrantes ou expatriados.

Sendo a Infinera um dos principais fornecedores de equipamentos e soluções de redes óticas a nível mundial, quais consideram ser as principais novidades/disrupções que estão a surgir nas “autoestradas da informação” e como está a Infinera nelas posicionada?

A Infinera posiciona-se com uma liderança tecnológica ímpar no que diz respeito à capacidade de transmissão de dados, bem como em novas arquiteturas de rede que simplificam a sua operação e adaptam-se dinamicamente às necessidades de aumento de capacidade.

Como pode a Infinera e os seus serviços ajudar outras empresas nesta conjuntura tão instável e incerta?

Os produtos e serviços que a Infinera desenvolve são essenciais para a sociedade de um modo geral, pois estão no centro das redes de telecomunicações. Atualmente, praticamente todos os sistemas de informação, quer a nível particular, empresarial ou governamental, recorrem a redes óticas para a transferência de dados. O desenvolvimento de produtos que proporcionam maior capacidade de transmissão, a maiores distâncias e com menor consumo energético, é fundamental para suportar a necessidade crescente de transmissão de dados.

Como encaram todas as mudanças que a pandemia da COVID-19 vai trazer para as empresas a nível nacional ou até mundial?

A pandemia acelerou o processo de adaptação das empresas e dos seus colaboradores aos modelos de teletrabalho. No nosso caso em particular, estamos a operar completamente em regime de teletrabalho há praticamente um ano, altura em que foi declarada a pandemia a nível global. O teletrabalho veio para ficar e apenas em casos muito pontuais vamos voltar aos modelos de presença permanente no escritório. Estes modelos proporcionam, de um modo geral, um equilíbrio mais eficiente do tempo entre o trabalho e a família, aumentado dessa forma o bem-estar e a produtividade.

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