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Campo Obrigatório
14 de Abril 2020

COVID-19/Reino Unido: Obstáculos no acesso aos fundos de apoio às empresas

AICEP

Reino Unido

A rapidez com que o Chanceler do Tesouro Rishi Sunak apresentou o pacote de medidas de combate aos efeitos do coronavírus na economia britânica, no valor de 330 mil milhões de libras e dos subsídios extraordinários aos trabalhadores, originou uma série de manobras para colmatar as entropias da falta de implementação.

Bancos, reguladores e oficiais do tesouro tiveram que se reorganizar rapidamente para conseguir ter os fundos disponíveis para quem mais precisa — as empresas. O encerramento obrigatório de muitos estabelecimentos comerciais foi o tiro de partida para uma corrida contra o colapso financeiro de muitos empregadores, com os normais pagamentos salariais no fim do mês e a forçada descida da faturação.

No que diz respeito ao Coronavírus Business Interruption Loan Scheme (CBILS), que oferece financiamento a pequenas e médias empresas até £5m, a primeira entidade intermediária de crédito registada para o efeito recebeu 4.000 pedidos de empréstimo, apenas no primeiro dia. No entanto a implementação deste mecanismo não tem sido feita sem falhas. Os clientes mutuários reclamam a demora na resposta dos bancos às suas solicitações ou as longas horas de espera para conseguir falar com alguém responsável por formalizar o pedido de financiamento. Também este mecanismo foi criticado por permitir aos bancos solicitarem garantias pessoais para a concessão de empréstimos, numa altura em que as empresas estão numa frágil situação financeira. No entanto, grandes bancos acordaram não pedir garantias pessoais para financiamentos até £250.000.

No que diz respeito à medida pensada para aliviar problemas de liquidez de grandes empresas Covid Corporate Financing Facility (CCFF), a mesma está a ser criticada por se destinar a empresas sujeitas a avaliação por Agências de Notação Financeira. Ora, de acordo com a agência de notação financeira Fitch, serão poucas mais do que 100 as empresas britânicas que contêm tamanha avaliação de risco. A decisão partirá da solvabilidade financeira das empresas no início do mês de março. Até ao presente, nenhuma empresa anunciou ter recorrido a este mecanismo. No entanto, parece pouco provável que as empresas que não estivessem de boa saúde financeira antes do coronavírus lhe consigam ter acesso.

A cobertura de salários por parte do governo, também foi uma medida ambiciosa que carece de implementação. A obrigação de encerramento de espaços de restauração, na semana passada, coloca estes empregadores sob enorme pressão para conseguir pagar o salário a milhares de trabalhadores. O Governo ainda não avançou a data de início do pagamento do subsídio extraordinário, mas espera-se que este mecanismo entre em funcionamento até ao final de abril. Muitas empresas receiam que este mecanismo só esteja pronto depois dessa data, e aí já terão que acumular dois meses de salários, sem qualquer entrada de capital. Os analistas desta matéria, alertam que o processamento de salários em atraso pode levar ainda mais tempo.

Os trabalhadores independentes das industrias criativas, que organizam as suas finanças por intermédio de empresas unipessoais, sentem-se deixados de fora dos fundos de apoio. Estes trabalhadores independentes/empresários são pagos por intermédio das suas empresas unipessoais, para que não sejam considerados trabalhadores pelas empresas que os contratam. Assim, grande parte dos seus honorários são conseguidos pelo lucro direto da empresa e não pelo salário que fixam para si mensalmente. Apenas poderão recorrer a ajuda do Governo, se tiverem algum cargo na empresa e declararem estar dispensados das suas funções, pelo valor que normalmente declaram de rendimento mensal.

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