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Campo Obrigatório
24 de Abril 2020

COVID-19: Principais constrangimentos na economia sueca

AICEP

Apesar da Suécia ser o Estado da União Europeia que menos restrições à atividade económica e social impôs, engane-se quem pense que a crise escapou a este país.

Como seria de esperar, a pandemia COVID-19 atingiu fortemente a economia sueca e estes são alguns dos impactos negativos mais relevantes:

 Esperada contração do PIB em 2020 de 4 por cento.

 Mercado de capitais em baixa, nomeadamente na bolsa de Estocolmo, apesar de evidenciarem uma tendência de estabilização nas últimas semanas.

 Várias indústrias reportam atrasos na produção.

 Fraca procura, lucros reduzidos e crescente incerteza tem levado a que as empresas optem por diminuir os seus investimentos para se focarem na manutenção da sua capacidade produtiva.

 Consumo diminuiu drasticamente, com as compras por cartão bancário a diminuírem 30 por cento no final de março e 25 por cento durante as duas primeiras semanas de abril.

 O consumo relacionado com as viagens e os transportes aéreos foi o mais afetado, com uma queda de 95 por cento, seguido de uma queda de 48 por cento no consumo em hotéis e restaurantes.

 Turismo muito afetado (esperam-se perdas de 36 mil milhões SEK até ao início do Verão), em particular, a hotelaria e o transporte aéreo e marítimo.

 Indústrias da cultura altamente penalizada, particularmente concertos, cinemas, museus e a venda de livros.

 Agricultura enfrenta uma escassez de mão-de-obra, devido aos cerca de 8000 trabalhadores sazonais, principalmente da Europa de Leste, que estão proibidos de entrar na Suécia. Por esta razão e pelos constrangimentos no comércio internacional, verifica-se uma subida dos preços dos bens.

 Serviços (exceto habitação): Espera-se uma contração de 4,8 pontos percentuais no ano de 2020.

 Espera-se uma contração de 1 ponto percentual no setor da construção para o ano de 2020.

 Os preços das habitações diminuíram 0,5 pontos percentuais no mês de março. Incerteza e preocupação quanto à queda dos preços das habitações tem levado a uma diminuição esperada do investimento neste setor no segundo trimestre deste ano.

 É expectável que as exportações suecas diminuam até 6 por cento este ano.

 A confiança nos negócios e nos agregados familiares caiu abruptamente no mês de abril, atingindo um novo recorde negativo. O indicador de confiança geral na economia passou para 58.6 pontos (antes 92.5), o nível mais baixo de sempre, enquanto o indicador confiança do consumidor diminuiu 15.5 pontos para 73.9 pontos (antes 89.4) e o indicador de confiança da indústria diminuiu 30.3 pontos para 70.5 pontos (antes 100.8).

Contudo, como nem tudo pode ser visto de uma perspetiva negativa, eis alguns aspetos positivos que se retira e/ou espera retirar desta crise na Suécia:

 O Governo espera uma recuperação de 3,5 por cento do PIB já no próximo ano.

 O número de layoffs registados tem vindo a diminuir. Na última semana de março (23-29) foram colocadas 18433 pessoas em layoff, enquanto na semana passada (13-19 abril) registou-se a colocação de apenas 4001 pessoas.

 O consumo diminuiu consideravelmente, exceto, nos setores farmacêuticos e de bens essenciais.

 É esperado que os serviços associados às TIC sejam dos menos afetados (serviços associados ao teletrabalho, por exemplo).

 É esperado que o desenvolvimento de redes 5G noutros países seja um dos motivos do crescimento das exportações, após o final da crise.

 A empresa PostNord (empresa de correios sueca e dinamarquesa) é uma das poucas que viu os seus lucros aumentar (em parte, fruto do crescimento do e-commerce).

Mais informações sobre os impactos da COVID-19 no mercado sueco e as medidas de apoio que estão a ser tomadas aqui.

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