Passar para o conteúdo principal
Campo Obrigatório
19 de Junho 2020

COVID-19: Ponto de situação do mercado de trabalho no Reino Unido

AICEP

Reino Unido

O mercado de trabalho do Reino Unido sofreu um grande impacto desde que as medidas de lockdown foram implementadas. Dados oficiais publicados na passada terça-feira revelam que, desde o início da quarentena, cerca de 3 milhões de pessoas requereram subsídios de desemprego, mais de 600 mil trabalhadores caíram fora das folhas salariais e houve cerca de menos 100 mil registos de trabalhadores por conta própria.

Tanto os salários como as oportunidades de emprego têm vindo a decrescer, tendo aquelas registado em maio, uma queda sem precedentes. No entanto, a estimativa da taxa de desemprego efetuada pelo Departamento de Estatísticas Nacional do RU (“Office for National Statistics”) mantém-se inalterada, com uma média de 3,9 por cento durante entre fevereiro e abril – valor muito acima do esperado e em contradição com o atual estado da economia.

Estas são as conclusões que se podem retirar dos dados referidos:

1. O Programa de Retenção de Emprego (“Job Retention Scheme”) tem sido essencial:

A introdução do programa de retenção de emprego levou a uma queda abrupta na média de total horas de trabalho assim como no salário médio, tanto nos trabalhadores que ainda retêm o seu posto como para as que estão temporariamente ausentes do mesmo (furlough). Este programa governamental encerrou novas submissões na última semana, suportando agora mais de 9 milhões de trabalhadores colocados em layoff pelo seu empregador, provando-se vital na batalha contra o crescente desemprego, causado pela conjuntura atual.

A propósito destes dados, Philip Shaw economista do Investec (Banco de Investimento) afirmou ao Financial Times que “um dos efeitos decisivos da recuperação económica a médio prazo será o número de trabalhadores em layoff que conseguirá manter o seu posto de trabalho e quantos trabalhadores acabarão no desempregado, quando terminar o apoio prestado pelo Governo através deste programa”.

2. Empregadores começaram a reduzir postos de trabalho:

De março a maio, os pedidos de subsídio de desemprego aumentaram de 1,5 para 2,8 milhões, o que indica que a redução de emprego está a aproximar-se da escala da recessão de 1980. No entanto, é provável que estes valores sobrestimem o nível de desemprego, uma vez que inclui os trabalhadores sem alteração de circunstâncias que submeteram solicitações após o critério de elegibilidade ter sido facilitado e os que estão com horário de trabalho e salários reduzidos. Ainda assim, a contagem alude à escala da crise que está a manifestar-se no RU. A Resolution Foundation reforça a probabilidade do RU estar a caminho da maior crise de emprego dos últimos 25 anos”.

Um sinal mais explícito da redução de postos de trabalho são as 430.000 pessoas que ficaram desempregadas entre março e abril, além dos 160.000 trabalhadores que deixaram de receber salários em maio.

O aumento da inatividade coincide com a descida de empregos, o que revela que a maioria dos cidadãos ainda não começou a procura de uma nova ocupação – o que tem, provavelmente, encobrido o verdadeiro crescimento de desemprego.

3. Desemprego aparenta vir a piorar:

A prioridade do governo é a prevenção de um aumento substancial do desemprego a longo prazo. Deste modo, a importância centra-se em quantos trabalhadores retornarão ao seu emprego, após a estabilização da economia, e em quantos novos postos de trabalho surgirão, para compensar os que foram perdidos.

Neste contexto e segundo o estudo em questão, a queda nas contratações (foram retiradas 60 por cento das oportunidades de trabalho existentes entre março e maio) é um dos presságios atuais mais preocupantes.

Gerwyn Davies, consultor da CIPD (Chartered Institute of Personnel and Development), acredita que, se a economia não recuperar, a procura de emprego será uma tarefa exigente e que há medida que o programa de retenção de emprego atenua, as previsões para o resto do ano tornam-se alarmantes, uma vez que o “setor privado está incapaz de criar novos e suficientes postos de trabalhos” para compensar os que se extinguiram.

4. Por último, não foi detetado um padrão regional no número de desempregados.

Campo Obrigatório