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Campo Obrigatório
24 de Março 2020

Covid-19 e a Indústria de Componentes Automóveis

Portugal
Componentes auto

Com o abrandamento da economia e redução da procura, as vendas de automóveis estão em queda acentuada. Os grandes cortes na produção de automóveis, - na União Europeia as fábricas automóveis estão paradas -, obrigam os fornecedores a considerar mudanças drásticas. Esta situação é um culminar de fortes pressões sobre as empresas em geral, e em particular para as portuguesas, caracterizada por uma redução de encomendas.

Como consequência, perspetiva-se a curto prazo um severo impacto na atividade económica e das exportações de um dos setores que mais contribui para a economia nacional: 6 por cento do PIB, 8 por cento do emprego da indústria transformadora e 16 por cento das exportações nacionais de bens transacionáveis.
 
As primeiras projeções da AFIA indicam quebras abruptas na atividade de 50 por cento neste mês de março, mas em abril e maio a diminuição chegará aos 90 por cento. Só a partir de novembro a indústria portuguesa de componentes para o automóvel começará a recuperar, sem, contudo chegar aos números de 2019. Para a totalidade do ano de 2020 é projetada uma descida de 30 por cento no volume de negócios, o que se traduz, numa diminuição de 3,5 mil milhões de euros face aos valores registados no ano passado. Assim para o ano de 2020 o volume de negócios ficará nos 8,5 mil milhões de euros, sendo que no ano passado o setor vendeu 12 mil milhões de euros.
 
Face ao exposto, às necessidades específicas e à importância estratégica desta indústria, a AFIA solicita ao Governo que sejam tomadas medidas urgentes, flexíveis e eficazes que passam pela:

  • Criação de uma linha de crédito específica para as empresas deste setor (o que não foi considerado, surpreendentemente, na apresentação de ontem efetuada pelo Governo, sobre as medidas económicas);

  • Alteração do regime de lay-off, de modo a permitir o acesso imediato a este regime para as empresas que tenham tido uma quebra de faturação superior a 40 por cento nos últimos trinta dias, mas medidos depois do final do período pedido para o lay-off e comparando com a média mensal dos últimos 2 meses anteriores a esse mesmo período, devendo, resultar claro deste regime a possibilidade de lay-off parcial e, ainda, pela alteração do regime de férias de modo a permitir, desde já, a sua marcação;

  • Criação de medidas de proteção dos postos de trabalho.

Estas medidas permitirão às empresas não só atenuar esta crise, mas também manter a sua competitividade, após este período, logo que se verifique a retoma gradual da economia.
 
As empresas estão disponíveis para dialogar com o Governo e encontrar modelos de desenvolvimento integrados, sob pena de redução drástica dos investimentos e encerramento de empresas ou unidades de produção, com consequências graves na economia e sociedade.

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