Passar para o conteúdo principal
Campo Obrigatório
24 de Abril 2020

COVID-19 – Dados sobre a situação da empregabilidade britânica

AICEP

Reino Unido

Estudos indicam que metade das empresas britânicas estão a equacionar colocar os seus trabalhadores em lay off, o que pode significar um custo maior do que o inicialmente estimado pelo Tesouro Britânico. A perspetiva de ter mais trabalhadores a depender do pacote de medidas de apoio estatal, surge no momento em que o Governo procura melhorar os termos das medidas de financiamento, para que os bancos possam emprestar mais dinheiro às empresas.

O Tesouro Britânico estima que cerca de 3 milhões de pessoas, ou seja 10 por cento da força de trabalho do setor privado, vão ter os seus postos temporariamente suspensos, para que, dessa forma, os seus empregadores tenham acesso às medidas de apoio à retenção de trabalhadores. Estas medidas asseguram o pagamento de até quatro quintos do salário dos trabalhadores com um teto máximo de £2.500 por mês.

No entanto, um estudo da Câmara do Comércio aponta que 44 por cento das empresas contactadas respondeu que metade dos seus trabalhadores serão pagos pelo Estado através desse mecanismo de apoio; um terço das empresas estima suspender 75 por cento dos seus colaboradores durante a próxima semana; e um quinto das empresas parou temporariamente as suas operações. Um estudo independente do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD) e da revista People Management revela que mais de metade dos empregadores esperam suspender trabalhadores aderindo ao esquema de apoio estatal. Um quarto das empresas equaciona eliminar definitivamente postos de trabalho; e destas, uma em cada dez prevê eliminar 11 por cento a 49 por cento dos seus empregados.

Os custos das medidas de apoio ao emprego são estimados em aproximadamente 10 mil milhões de libras, para 3 milhões de trabalhadores, durante três meses, mas se forem tomados em consideração os resultados apresentados pelos diferentes estudos, então os custos serão ainda maiores. Os Ministérios já deram ordem ao Gabinete de Gestão de Dívida Pública para vender 45 mil milhões de libras de dívida em Abril; valor três vezes superior ao montante previsto no Orçamento apresentado a 11 de março. O Gabinete de Gestão de Dívida Pública considera que vamos passar por um período excecional de emissão de dívida.

O estudo da Câmara de Comércio Britânica, foi conduzido entre os dias 25 a 27 de março, foi respondido por 600 empresas, sendo a sua maioria pequenas empresas, ou seja, com menos do que 250 empregados, apresentou ainda os seguintes resultados:

 A maioria das empresas afirma ter apenas três de meses de fundo de maneio;

• Um quinto das empresas respondeu que apenas tinha dinheiro disponível para sobreviver um mês.

  Até há semana passada, data em que foi feito o estudo, apenas 1 por cento destas pequenas empresas recebeu o financiamento garantido pelo Estado, que propõe empréstimos até 5 milhões de libras, sem juros, nem taxas e com a duração máxima de 1 ano.

O estudo independente do CIDP e da revista People Management, revela ainda que:

 Um quarto das empresas congelou salários ou adiou aumentos salariais;

 Um quinto das empresas ainda mantinha trabalhadores a laboral no seu local de trabalho, apesar de não serem considerados trabalhadores essenciais. E sobre este tema, muitas empresas referem que é pouco clara a designação de quais as atividades consideradas essenciais.

Sobre este último tema, os Bancos afirmam que os seus sistemas têm dificuldades em responder ao elevado número de pedidos ao financiamento estatal, o que tem causado atrasos.

O Secretário de Estado dos Negócios, Energia e Estratégia Industrial, Alok Sharma, afirmou esta quarta-feira ser “completamente inaceitável” os bancos indevidamente “recusarem financiamento a bons negócios”. Relembrou que foram os contribuintes que salvaram a banca na crise financeira de 2008 e que chegou o momento para “pagarem de volta o favor”.

Deixou a salvaguarda de que o Ministério das Finanças está a equacionar medidas para garantir que as empresas têm o apoio que precisam. É expetável que as medidas de apoio sejam alargadas a todas as empresas em boa situação financeira com faturação inferior a 45 milhões de libras, uma vez que atualmente apenas podem aceder ao financiamento do estado aqueles que veem recusado o financiamento pela banca tradicional.

Os pequenos empresários têm criticado a implementação das medidas de financiamento estatais, alegando estarem a ser pedidas garantias pessoais ao financiamento. Apesar de já ter sido divulgado, que a maioria dos bancos deixou de pedir garantias pessoais a financiamentos inferiores a £250.000. Por outro lado, queixam-se do risco que correm de serem impostas elevadas taxas de juro ao fim dos 12 meses de financiamento garantido pelo Estado e que apenas conseguem financiamento estatal empresas que estavam em boa situação financeira antes de começar a pandemia.

Por fim, Diretor da Câmara de Comércio Britânica, Adam Marshall, alerta para a urgente necessidade de a ajuda financeira chegar às empresas na maior brevidade possível; afirma mesmo que “a maioria das empresas não pode esperar semanas ou meses pela ajuda financeira”.

Campo Obrigatório