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Campo Obrigatório
30 de Junho 2021

Bluepharma dá entrada no mundo das vacinas

AICEP

Portugal
Farmacêutico

É uma aposta forte para uma empresa portuguesa e que irá custar 200 milhões de euros até 2030, mas promete abrir novos caminhos.

A Bluepharma celebra 20 anos com um plano ambicioso de crescimento para a década que agora começa. A farmacêutica que nasceu em Coimbra em 2001 com 58 funcionários está agora a expandir a fábrica na cidade onde tudo começou após ter adquirido novos terrenos e espera ter mil trabalhadores até 2025 (atualmente têm 750).

Numa altura em que o mercado de vacinas mundial está ao rubro, com a crescente necessidade de aumentar a produção devido à covid-19, o CEO e cofundador Paulo Barradas Rebelo anuncia ao Dinheiro Vivo que também vão entrar na área dos injetáveis "que é mais complexa em termos de produção", depois de duas décadas em que a empresa se distinguiu nas cápsulas e comprimidos.

O farmacêutico criou a empresa após o encerramento da fábrica da alemã Bayer em Coimbra em 2000, adquirindo as instalações e começando aí um percurso que procurou reavivar "os tempos em que Portugal teve o melhor que havia na área farmacêutica, nos anos 1970 e 1980, com empresas relevantes com fábricas por cá, até porque os medicamentos só eram comparticipados às empresas que investiam no país".

Hoje, o Grupo Bluepharma "é uma referência na área dos genéricos, algo que veio democratizar o consumo de medicamentos e que permite a Portugal poupar mil milhões de euros anuais", explica o responsável. A empresa tem tido um crescimento anual a rondar os 20% e já exporta para mais de 40 países um volume de mais de 65 milhões de euros/ano graças a dezenas de medicamentos genéricos que servem mais de mil milhões de pessoas. Exportam mais de 80% da produção, sendo França e Alemanha os principais mercados, mas os Estados Unidos o que mais cresce. "Desde 2009 que fomos arrojados ao obter certificação na FDA nos EUA (onde temos já 10 medicamentos registados)", explica. Nesta altura têm cerca de 50 medicamentos diferentes em produção e muitos mais em desenvolvimento, daí que queiram apostar mais na investigação "para captar a atenção dos parceiros lá fora" e aumentar a produção para eles.

O gestor admite que numa indústria como a farmacêutica tem sido "fundamental cumprir prazos e requisitos de qualidade" e só isso tem permitido ter 90% da produção da empresa a ser feita para farmacêuticas internacionais. Quais? "Não podemos revelar", diz.

O Grupo Bluepharma incorpora já 20 empresas e continua a crescer. "Estamos a meio do jogo e com cada vez mais projetos, daí as novas unidades industriais serem importantes para a expansão".

O investimento de 200 milhões de euros inclui 30% de dinheiro próprio, dois parceiros alemães (10%), crédito na banca (50%) e 10% através do Portuga12020, e irá "expandir a unidade industrial atual e criar outra" no que chamam de Bluepharma Park, em Coimbra. Esta última será a unidade "de ponta" que deve surgir em 2022 e será "uma fábrica em contenção, onde o ser humano não pode contactar com os princípios ativos e onde vamos desenvolver medicamentos para cancro".

O investimento servirá também para ter as melhoras ferramentas informáticas, inclusive dotar de sensores e monitores a unidade fabril.

Nos próximos cinco anos irá ser criada em Coimbra uma unidade de injetáveis complexos - ou seja, vacinas - a aproveitar o parque industrial de uma antiga fábrica de cerâmica, adquirido em 2019. "Vamos poder fabricar vacinas por licenciamento dessas farmacêuticas", onde podem estar incluídas as da covid.

"Portugal não tem unidades de vacinas instaladas e é uma área importante agora e no futuro, será importante se o país investir com ajuda do PRR nessa área", admite.

A nível de patentes próprias, a Bluepharma parece bem lançada, inclusive em matérias como formas eficientes de produzir medicamentos, mas também nos filmes orais, que mais não são do que um medicamento sob a forma de pelicula que cola na lingua: "Mas também nos distinguimos nos sprays orais para administração de fármacos."

Vacinas covid Sobre as vacinas para a covid, admite que tem sido impressionante ver a cooperação e partilha na indústria permitir avançar na ciência e ultrapassar dificuldades. "Vimos inclusive as autoridades a acompanhar o setor privado em tempo real e com análise crítica nos ensaios, garantindo eficácia e segurança, o que tem sido uma lição muito importante para todos."

O responsável admite que "não havia nenhuma empresa no mundo capaz de produzir tantas vacinas, por isso, "foi possível otimizar muito a cadeia de valor com parcerias para colocar produção noutros parceiros" que no futuro até pode ser a Bluepharma, daí não ser favorável ao levantamento das patentes. "É necessário dar incentivo e proteger o inventor, mas é bom que as patentes expirem em 20 anos, senão nunca mais se inventava nada - é um período de privilégio."

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