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Campo Obrigatório
25 de Março 2020

Anúncio de pacote de apoio às empresas britânicas não impede crise de confiança no grande retalho

AICEP

Reino Unido

Na sequência do anúncio feito pelo Chanceler do Tesouro britânico, Rishi Sunak, de um pacote de medidas de apoio às empresas em pressão financeira devido à pandemia do novo Coronavírus, no valor de 330 mil milhões de libras, alguns dos maiores retalhistas britânicos anunciaram a redução do horário de funcionamento e até mesmo o encerramento de estabelecimentos.

Embora as medidas de apoio às empresas tenham sido recebidas com satisfação, tendo inclusivamente o Chanceler sido parabenizado pelo British Retail Consortium por “ouvir atentamente as preocupações dos retalhistas e apresentar um pacote ousado de medidas que serão um grande impulso à liquidez e melhorarão a confiança das pessoas afetadas”, a reação imediata dos grandes retalhistas britânicos revela que são também interpretadas como sinais de que a crise atual é séria e poderá permanecer por tempo indefinido.

Horas depois do anúncio, o grupo Selfridges comunicou, através do Twitter, o encerramento temporário, mas sem data prevista de reabertura, das suas quatro grandes superfícies: uma em Londres, outra em Birmingham e duas em Manchester.

Já o icónico Harrods decidiu encerrar todos os seus restaurantes e reduzir o horário de funcionamento da loja em 3 horas, passando os respectivos funcionários a trabalhar por turnos.

O grupo Selfridges e o Harrods empregam, respetivamente, mais de 3000 e 5000 pessoas.

Por sua vez, a cadeia de vestuário e mobiliário Laura Ashley, que conta com mais de 153 lojas e cerca de 2700 funcionários no Reino Unido, é o primeiro grande retalhista britânico a anunciar que entrará em processo de insolvência.

Em comunicado, a empresa revelou que o clima de incerteza despoletado pelo surto de Covid-19 não permite garantir o crédito no valor de 15 milhões de libras que, segundo a Sky News, esta vinha a negociar com a Hilco Capital, e do qual dependeria para se manter.

Outros exemplos de grandes retalhistas em dificuldades financeiras são a Ted Baker, que viu o seu valor de mercado cair para metade desde o início do ano, para 78 milhões de libras; a Superdry, cujo valor afundou 80 por cento em 2020, e é agora avaliada em apenas 90 milhões de libras; e a Asos, avaliada em 882 milhões de libras, cerca de dois terços do que valia no final de 2019.

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